sábado, 4 de agosto de 2012


ontem à noite deleitei-me a olhar um céu imensamente estrelado. tive a sorte, se é que se pode falar aqui de sorte, de conhecer um lugar que, não se encontrando a uma grande altitude, transmite-nos uma tal sensação de grandeza que julgamos conseguir tocar as estrelas.
há quem diga que já esteve em lugares onde se sente mais próximo de deus. aquele bem que podia ser um desses lugares sagrados. e, n
a verdade, até conheço quem tornasse aquele lugar, o seu lugar sagrado, mas de férias.
religiosidades à parte (ou não), contemplar aquele céu e sentir o calor emanado por toda aquela terra vermelha que me empoeirava os pés, fez com que me sentisse tanto um pedaço de estrela como um pedaço de pó.
de braços aberto girei, girei e girei como fazia em criança. só as crianças giram assim. porque será? todos sabemos a resposta, seguramente.
lembrei-me então do que, certo dia, uma criança me disse - «se girares e ao mesmo tempo olhares para o céu não ficas tonta». disse que era segredo e agora percebo porquê. quase caí. ela queria que eu (re)experimentasse, sem medos.
e, enquanto me tentava equilibrar, observei o quão pequena sou, encaixada em algo tão grande. pensamento banal, eu sei. somos uma tal insignificância, que todos os dias, a toda a hora, temos que (re)descobrir a nossa própria significância para que tudo isto tenha algum sentido (mesmo que ilusório ou incerto), e isso é de louvar!
continuámos a caminhar para casa, a conversar sobre o calor, o lago, o baile, o cinema do dia seguinte, o jantar de terça e os mineiros que moraram ali. não mais me lembrei das estrelas, nem de significados ou de sentidos.
foi então que me apercebi que, quando contemplamos algo tão grandioso, sentimo-nos mais perto da grande verdade, de nós mesmos, da nossa origem, de deus, como queiram chamar. 
sentimo-nos felizes. 
mas, precisamos sempre de algo mais, certo?

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