de braços aberto girei, girei e girei como fazia em criança. só as crianças giram assim. porque será? todos sabemos a resposta, seguramente.
lembrei-me então do que, certo dia, uma criança me disse - «se girares e ao mesmo tempo olhares para o céu não ficas tonta». disse que era segredo e agora percebo porquê. quase caí. ela queria que eu (re)experimentasse, sem medos.
e, enquanto me tentava equilibrar, observei o quão pequena sou, encaixada em algo tão grande. pensamento banal, eu sei. somos uma tal insignificância, que todos os dias, a toda a hora, temos que (re)descobrir a nossa própria significância para que tudo isto tenha algum sentido (mesmo que ilusório ou incerto), e isso é de louvar!
continuámos a caminhar para casa, a conversar sobre o calor, o lago, o baile, o cinema do dia seguinte, o jantar de terça e os mineiros que moraram ali. não mais me lembrei das estrelas, nem de significados ou de sentidos.
foi então que me apercebi que, quando contemplamos algo tão grandioso, sentimo-nos mais perto da grande verdade, de nós mesmos, da nossa origem, de deus, como queiram chamar.
sentimo-nos felizes.
mas, precisamos sempre de algo mais, certo?
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