hoje ao olhar pela janela do gabinete onde trabalho transportei-me até por volta dos meus 7 anos de idade e recordei, muito nitidamente, o que sentia ao estar fechada numa sala de aulas.
também naquele tempo, em vez de olhar para onde devia (para o livro de lições cravado à minha frente), desviava a atenção para a janela que me mostrava o céu, e lá, nem sequer sonhava, pelo menos não me lembro de
sonhar, lá vivia longos minutos até que a professora me chamava à terra.
nota na caderneta da aluna, desse ano e de outros - «… distrai-se por vezes no mundo da lua». ora, mal sabia eu, naquela altura, a minha tão grande identificação com esta frase.
cheguei a pensar, vejam lá, inocência de criança, que com uma cana, aquelas canas que crescem junto ao rio e com as quais a minha avó segurava o arame onde estendia a roupa, conseguia tocar o céu.
e agora recordo-me que, com essas canas ou caniços, como chamam, também se faziam (e fazem com certeza) flautas. Tentei fazer várias, sem grande sucesso. Cortava a cana, fazia uns buracos, soprava e nada. achava eu que seria preciso algum tipo de magia para a flauta começar a tocar. agora sei que era mesmo falta de jeito.
com o computador à minha frente e o dever de boa trabalhadora a martelar-me na cabeça, hoje, os meus olhos, o espelho da alma como dizem, preferiram viajar pelas nuvens, como se estivesse hipnotizada. contemplei apenas e chegou. nem desejei lá estar. verdade que noutros dias, quando olho o céu, desejo voar. mas hoje não.
hoje fui o azul. hoje fui feliz.
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