sábado, 4 de agosto de 2012

hoje visitei um daqueles locais que nos fazem calar assim que pisamos a entrada, seja pelas dimensões  arquitetónicas, seja pelos rituais que por ali se vivenciam, seja ainda e tão só por estarem realmente todos calados. rendi-me e calei-me também. a luta foi mesmo entre o sentir e o pensar.
em todo aquele ambiente estático o que vai alterando a paisagem são as pessoas que por ali vão passando e as
 cores do que vestem. pessoas daqui, dali, de todo o mundo. é um local multicultural para não dizer multidimensional (e entrar noutros campos), mas também é um local onde todos se querem iguais.
passadas umas horas de andar de um lado para o outro, já não notava qualquer diferença entre o vermelho da camisa de um e o branco da t-shirt de outro. ali todos passam a vestir a mesma camisola, o mesmo hábito.
ali é possível também ver a tristeza no rosto estampada transformar-se numa nova esperança, o amor devoto por algo maior, uma fé tão profunda, transformar-se numa felicidade inabalável.
ali as promessas não se quebram, cumprem-se. 
ali o ser humano rende-se e sente-se pequeno. ali o ser humano deseja ser maior.
as pernas começaram a pesar. sentei-me. continuei calada, como os demais. 
pensei então, porque conseguimos nós acreditar, ser tão devotos, entregar o nosso coração, o nosso amor, a nossa alma e até os joelhos a algo (alguém) que não vemos e não conseguimos fazer o mesmo a quem está a nosso lado todos os dias. ou a nós mesmos. algo está errado?
ali pede-se por saúde e felicidade e ninguém se ri. 
ali pede-se perdão pelos pecados e ninguém chora. 
ali os homens deixam de ser filhos de uma mãe para serem filhos de um pai. 
ali também se celebram casamentos. assisti a um. 
dizia o padre para a noiva que se ria às gargalhadas, nervosa ou simplesmente bem disposta, "sem stress, minha filha, sem stress".
e eu ali, naquele momento, consegui sentir apenas. 
e rir.
afinal por ali também há humor. ufa! 
um lugar deveras suis generis.

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